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A Lenda do Dragão VerdeJogar

Livro I · O Brejo que Lembra

Prólogo: o que se conta junto ao fogo

Ulga junto ao fogo do Totem, à noite, com os novos Juramentados em volta
Ulga junto ao fogo do Totem, à noite, com os novos Juramentados em volta

Palavras de Ulga Voz-de-Junco, Voz do Totem de Glukmoore, na noite em que os primeiros novos Juramentados entalharam seus nomes.

Cheguem perto do fogo. A bruma está alta esta noite, e o que vou contar é para ser ouvido com as costas quentes.

Lá fora, no Reino, contam que o Dragão Verde é uma fera. Que dorme nas profundezas da Floresta, acorda faminto e derruba pontes. Que um herói desce ao covil, mata a fera, volta coberto de glória e a fera, de algum jeito, volta também. Contam isso há mil e duzentos invernos, como quem conta a chuva.

Nós, em Glukmoore, contamos diferente. Nós contamos o nome dele.

Antes de existir rei, antes de existir moeda, antes de existir estrada, nós já estávamos aqui. Fomos os primeiros a acordar no lodo, e a primeira coisa que vimos foi a luz verde do sopro dele queimando a bruma. Por isso guardamos o Totem. Por isso entalhamos os nomes. Por isso, quando um de nós morre, alguém diz o nome dele em voz alta junto ao fogo.

Porque o mundo não é feito de pedra, crianças. É feito de lembrança. E existe uma coisa lá fora, na bruma, que quer que tudo seja esquecido.

Hoje vocês entalharam seus nomes. A partir de agora, enquanto Glukmoore lembrar de vocês, a morte não vai conseguir guardá-los. Vão voltar. E vão descer, um dia, até onde ele dorme.

Então escutem a história inteira. Do começo.